ONGs criam ações de combate à violência sexual infantil

Apenas em 2015 e 2016, a Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos recebeu 33.290 denúncias 

A Childhood Brasil, a Fundação Abrinq, o Instituto Liberta, a Plan International Brasil e a Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente se uniram para conscientizar a população sobre a data 18 de Maio, Dia Nacional do Combate ao Abuso e à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes.

No Brasil, só nos anos de 2015 e 2016, a Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, por meio do Disque 100, recebeu 33.290 denúncias de violência sexual na faixa etária de 0 a 18 anos.

“Enfrentar a questão da violência sexual contra crianças e adolescentes é encarar o desafio de uma mudança profunda em nossa cultura”, afirma Claudia Vidigal, secretária Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente. “É um crime hediondo que muitas vezes é banalizado e quase naturalizado em nossa sociedade.”

Entre as ações do órgão, em parceria com o ‘Comitê Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes’, destaca-se a solenidade oficial e seminário sobre o tema, no dia 18 de maio, a partir das 10h, na Câmara dos Deputados, em Brasília. No dia 20, haverá o ‘Show Pela Vida, Contra a Violência: 17 anos de Mobilização’, no Parque da Cidade, a partir das 8 horas da manhã. Oficinas e apresentações culturais também fazem parte da agenda, num evento que vai se encerrar com uma revoada de balões pelos céus de Brasília.

Já em São Paulo, haverá um flash mob das 8h às 9h30 no dia 18 de maio, promovido pela Fundação Abrinq nos terminais rodoviários do Tietê, da Barra Funda e do Jabaquara, às 8 horas da manhã. Por uma hora e meia, quem estiver passando por esses locais receberá marcadores de livros com os dados informativos sobre o dia 18 de maio e sua importância, bem como os números dos canais de denúncia. A Fundação escolheu distribuir um marcador, pois a intenção é a de que as pessoas se lembrem dessa mensagem sempre que forem utilizá-lo. “A melhor maneira de combater a violência sexual contra crianças e adolescentes é a prevenção – por meio de um trabalho de sensibilização e informação junto aos pais e responsáveis, da população em geral e dos profissionais e gestores das áreas da educação, da saúde e da proteção”, avalia Carlos Tilkian, presidente da Fundação Abrinq.

A contribuição da ONG Childhood Brasil se dará pela mobilização do setor privado na divulgação das peças da campanha ‘Faça Bonito – Proteja nossas crianças e adolescentes’. A campanha é uma parceria com o Comitê Nacional de Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, ECPAT Brasil, a SNDCA, o Conanda e a Polícia Rodoviária Federal. Além das empresas que integram o Programa Mão Na Certa, que visa a sensibilização dos motoristas de caminhão para que atuem como agentes de proteção dos direitos de crianças e adolescentes nas estradas, as peças chegarão ao setor de Turismo com a veiculação na rede de hotéis Atlântica.

Também em São Paulo, no dia 18 de maio, das 9h às 17h30, o Instituto Liberta, em parceria com o jornal Folha de S.Paulo, vai promover no Teatro Unibes Cultural (rua Oscar Freire 2.500, São Paulo) um debate sobre o enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes. Empresas parceiras do Liberta, que já estão divulgando a campanha ‘Números’ (vídeo que alerta para o problema), comprometeram-se a fortalecer a divulgação nas suas redes e canais de mídia nesta data. Já o aplicativo 99 Táxi, em parceria com o Instituto, fará uma comunicação corporativa com esclarecimentos sobre o tema. “O enfrentamento da exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil passa por uma mudança de mentalidade em relação ao assunto, o que só acontecerá se falarmos sobre isso insistentemente, no mínimo pelos próximos 10 anos”, acredita Luciana Temer, diretora do Instituto Liberta.

Desde o início do mês, na Bahia, Maranhão e Piauí já acontecem diversas ações organizadas pela Plan International Brasil. Na Grande Salvador (BA) será apresentada a Pesquisa ‘O Cenário das Violências Sexuais do Projeto Down to Zero’, que tem como meta reduzir o número de crianças vítimas ou em situação de risco de exploração sexual em comunidades da Bahia até 2020. Em Teresina (PI) vêm acontecendo oficinas e sensibilizações nas comunidades e escolas. Já em Codó (MA), o foco será na mobilização comunitária com panfletagens e blitz em pontos estratégicos da cidade no dia 17, além de uma caminhada no dia 18 de maio.

São Luís (MA) também terá atividades de sensibilização nas escolas, blitz e panfletagem nas comunidades, culminando com uma corrida – coordenada pelo Ministério Público – com a participação de meninas e meninos de todos os projetos e suas famílias. Entre os dias 22 e 26, a capital maranhense, em conjunto com as cidades Paço do Lumiar e São José de Ribamar, abrigarão rodas de diálogos com mães, pais e cuidadores com diversas atividades, incluindo oficinas focadas em autoproteção com crianças para que possam desenvolver habilidades protetivas para prevenir o abuso e a exploração sexual.

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