Crianças africanas são escravizadas pela indústria do chocolate

Documentário “O lado negro do chocolate”

Com a chegada da Páscoa, lojas e supermercados ficam lotados de ovos e vários tipos de chocolate. No mundo são consumidos anualmente 3 milhões de toneladas do produto. Mas o que muitas pessoas não veem são as condições desumanas que crianças passam para esses chocolates chegarem às prateleiras.

O documentário “O lado negro do chocolate”, do premiado jornalista dinamarquês Miki Mistrati, mostra o tráfico de crianças para as plantações de cacau da Costa do Marfim, o maior produtor mundial de cacau. A produção do país corresponde a 42% do total no mundo.

Crianças podem ser compradas por 230 euros, incluindo transporte e uso ilimitado da criança. As crianças escravizadas geralmente vão do país Burkina Faso, na África. A maioria não sabe o idioma local, o que dificulta uma possível fuga. As crianças não conseguem pedir ajuda.

Quase todas estão fora da escola e usam facões enormes que, muitas vezes, são quase do tamanho da criança. No documentário, o jornalista conversa com dois meninos que acabaram de fugir de uma plantação. Eles dizem que são enganados pelos traficantes, apanham muito e passam fome.

Em 2001, a FDA (Food and Drug Administration), órgão norte-americano com funções semelhantes à Anvisa no Brasil, queria aprovar uma legislação para a aplicação do selo “slave free” (sem trabalho escravo) nos rótulos das embalagens. Antes da legislação ser votada, a indústria do chocolate, incluindo a Nestlé, a Hershey e a Mars, prometeram acabar com o trabalho escravo infantil nas suas cadeias produtivas até 2005. Este prazo tem sido repetidamente adiado, sendo que a meta atualmente é para o ano de 2020. Ou seja, a indústria do chocolate quer prorrogar até 2020 (ou ainda mais) o prazo para garantirem que não vão usar trabalho escravo infantil na produção dos seus chocolates.

O documentário está disponível no YouTube. Para assisti-lo, clique aqui.

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