Surpresa boa no ônibus!

Pois é, há 17 anos desisti de ter carro e o trio táxi-metrô-ônibus passou a fazer parte da minha vida. Ontem, numa curta viagem pela Avenida Rebouças, o cobrador me surpreendeu pela simpatia: me olhou nos olhos, me cumprimentou com um “boa tarde” e me deu o troco exato para minha nota de R$ 10. Atrás de mim, uma senhora falou que também tinha uma nota de R$ 10 e ele disse que não era problema; brincou que aceitava até nota de cem. Notei que para cada pessoa que passava pela catraca ele tinha uma interação bem divertida, o que fazia dele um tremendo anfitrião daquele ônibus.

No ponto seguinte, entraram duas senhoras que pareciam ser mãe e filha, e esta tinha o braço numa tipoia. Mal tinham entrado no ônibus e o motorista seguiu viagem.

Na mesma hora o cobrador projetou a voz – ele não gritou, projetou mesmo – e falou com toda a firmeza para o motorista e todos que estavam na área:

“Pare o ônibus porque temos uma passageira que está com o braço na tipoia, não pode se equilibrar e não podemos prosseguir viagem enquanto alguém não ceder um assento para que ela viaje com segurança!”

A mãe da moça, a princípio, pensou que tivesse causado algum problema e respondeu que não iriam atrapalhar, porque estavam indo para o hospital.

“Sim, minha senhora, é por isso que temos que garantir que ela viaje com segurança, fique tranquila que não vamos prosseguir enquanto ela não estiver bem acomodada”.

Foi aí que ela percebeu que não estava levando uma bronca, mas estava sendo cuidada. Um senhor cedeu o lugar para a moça, ela se sentou e só então o cobrador autorizou o motorista a seguir viagem. A senhora mais velha, se dando conta do que tinha ocorrido, olhou para o cobrador e disse: “Que Deus abençoe o senhor, muito!”

Não aguentei! Eu tinha que falar mais com meu mais novo inspirador:

“Faz cinquenta anos que tomo ônibus e nunca tinha visto um cobrador agir assim, como o senhor. Parabéns!”

“É, ninguém gosta muito de parar mesmo, mas quando eu estou aqui, faço parar. Tem que parar, senão, não dá! O pessoal não gosta muito de parar não, mas isso não é jeito de tratar as pessoas”.

Agradeci e desci do ônibus encantado pela presença e firmeza daquele homem, que quebrou completamente o estado de conformidade geral das pessoas com seu gesto. Me senti tão cuidado como a moça com o braço na tipoia.

Wellington Nogueira

Wellington Nogueira

Palhaço, Empreendedor Social Fundador dos Doutores da Alegria.

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