Negócio Social: evolução?

Sempre fui um defensor do princípio que todo e qualquer negócio deve ampliar sua visão de resultados, através da incorporação de ações que gerem desenvolvimento social; responsabilidade social e sustentabilidade não devem ser departamentos ou áreas, mas uma cultura que faz parte do negócio e da estratégia de uma empresa e de um povo. Os empreendedores sociais Muhammad Yunus, fundador do Grameen Bank – primeiro banco a oferecer micro-crédito para famílias pobres poderem montar seus negócios – e Joaquim Melo, fundador do Banco Palmas, primeiro Banco Comunitário do Brasil, no Ceará, são dois exemplos concretos, bem sucedidos e aplaudidos no mundo todo, por transformarem a vida de milhares de pessoas, ao incorporar o resultado e a estratégia de seus negócios `a prosperidade e ao desenvolvimento de todos que usufruem de seus serviços.

Dois brilhantes exemplos de uma nova vertente, os negócios sociais, que vem tornando mais tênue a linha que separa o segundo do terceiro setor. Numa época em que cada vez mais pessoas buscam aliar trabalho a propósito de vida e legado humanitário, os negócios sociais multiplicam-se e encontram investidores privados que apostam nesta modalidade como uma forma de fazer dinheiro e solucionar problemas sociais, reinvestindo os lucros no negócio. Há também negócios que se intitulam sociais, que trazem soluções  mas não reinvestem os lucros na causa; existe um certo e um errado? É preciso mais tempo para analisar o impacto  deste novo campo, mas o problema é que, ao instituírem suas Áreas de responsabilidade social lá pelos idos de 1995 as empresas tomaram para si as execuções de ações sociais, diminuindo o investimento em organizações especializadas no assunto; com o advento dos negócios sociais, vemos  o investimento social ser cada vez mais direcionado na direção dos negócios, o que é bom, mas ainda temos muitos problemas sociais urgentes, que são solucionados por essas organizações do setor cidadão, que não se encaixam nesses novos formatos; apesar de serem internacionalmente reconhecidas por suas metodologias inovadoras e de custo reduzido, várias dessas organizações encontram, hoje, crescentes dificuldades em obter recursos para manter suas atividades, porque não são ou não estão estruturados como um negócio. E talvez nunca venham a ser, por serem essencialmente filantrópicos, uma modalidade que o Brasil não pode se dar ao luxo de erradicar dos investimentos sociais, simplesmente porque  “deixaram de ser a bola da vez”.

Muita calma nessa hora!!! É preciso resgatar a solidariedade para o investimento em causas sociais; sentar `a mesa  com o setor cidadão para co-criar, aliar esforços e estimular transições saudáveis, fomentando novas fontes de mobilização de recursos, como por exemplo estimular doadores individuais; uma importante iniciativa para um país que não tem cultura de doação individual forte e consistente. O crowdfunding é uma eficiente forma de estimular o investimento individual, mas temos que ir mais longe e educar o público para doar recursos regularmente. E os donos das grandes fortunas, bem como as grandes empresas, podem ser os primeiros a dar este bom exemplo e investir nesta ação formadora. Vamos conversar? Este texto termina aqui, mas eu volto!

Wellington Nogueira

Wellington Nogueira

Palhaço, Empreendedor Social Fundador dos Doutores da Alegria.