Um Brasil brasileiro e seus contrastes

Dados de recente estudo feito pela consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC) apontam  que o Brasil pode se tornar a quarta maior economia do mundo até 2050, ficando atrás apenas de China, Estados Unidos e Índia. O que poderia ser uma ótima notícia causa surpresa uma vez que, segundo um relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o Brasil ainda é considerado um dos dez países com maior desigualdade social do mundo.

Ainda segundo o Pnud, há no Brasil 57 milhões de pessoas vulneráveis e 9 milhões na extrema pobreza. Os dados mostram, entre outras coisas, que 70% da população brasileira ainda não tem acesso à educação primária assim como 30% das pessoas da classe D e 65% da classe E ainda não usufruem nenhum tipo de crédito financeiro. Esse contraste fica ainda mais evidente quando se faz um paralelo com  os 63.398 milionários de São Paulo demonstrados no Mapa dos milionários do Brasil, apresentado na revista Exame de janeiro de 2012.

Uma curiosidade sobre esse Brasil brasileiro:

ocê sabia que o adjetivo pátrio  – “brasileiro ” – carrega o sentido de ofício, ocupação, atividade em seu sufixo “eiro”, sentido semelhante ao de sapateiro, de marceneiro, de mineiro? Lembra-se de que o primeiro ciclo de exploração no Brasil – o do pau-brasil –  foi de tal forma predatório, que essa árvore atualmente é uma raridade praticamente em extinção?

O que há de interessante nesta curiosidade é a possibilidade de se especular o fato de nosso adjetivo pátrio atribuir a nós “brasileiros” o sentido de sermos exploradores do Brasil desde sua origem.

Parece que as coisas estão mudando: esse Brasil brasileiro – de contrastes –,  nascido de uma colônia de exploração, é hoje como  uma das nações que mais faz filantropia no mundo, com 17 milhões de doadores, movimentando R$ 5,2 bilhões ao ano segundo pesquisa apresentada em 2011 pela ChildFund Brasil.

É exatamente nessas contradições que está ancorado o que hoje entendemos como terceiro setor. E cabe a ele o desafio de explorar propostas para diminuir os contrastes deste Brasil brasileiro, com os mais variados modelos de negócios. Mas, desta vez, com o sentido de descobrir.

[1] Ideia extraída do texto Brasileiro, 500 anos: memória, projeto e identidade – Antonio da Costa Ciampa – 1999

 

Referências:

•    Brasileiro, 500 anos: memória, projeto e identidade – Antonio da Costa Ciampa – 1999 (colocar o link para pdf no meu site)
•    World in 2050 – The Brics and Beyond: Prospects, Challenges and Opportunities, (O mundo em 2050 – Os Brics e além: perspectivas, desafios e oportunidades) – estudo elaborado pela consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC). (colocar o link para pdf no meu site)
•    Mapa dos milionários do Brasil, apresentado na revista Exame de janeiro de 2012 – fonte: Global Private Bank – Brazil snapshot – Excellence is the standard not the goal – Strategic market overview – Emerson de Pieri – 2011 (colocar o link para pdf no meu site)
•    Relatório do Pnud – www.pndu.org.br

Valdir Cimino

Valdir Cimino

Valdir Cimino é publicitário formado pela Escola Superior de Propaganda e Marketing, pós-graduado em Tecnologia de Ensino pela FAAP - Fundação Armando Álvares Penteado e mestre em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina da Santa Casa de Misericórdia São Paulo. É presidente da Associação Viva e Deixe Viver, sócio diretor da Cimino Eventos e Treinamentos, educador na FACOM Faculdade de Comunicação e Marketing da FAAP - Fundação Armando Álvares Penteado. Produz e apresenta o programa Humanização em Saúde e Tekobé (medicina da adolescência) veiculado pela Conexão Médica Educação Social a Distância. Inclui passagens por agências publicitárias de renome - McCann Erickson, Colucci Propaganda, ALMAP, NORTON Publicidade e C&A Modas. Participou da equipe responsável pelo lançamento da primeira TV segmentada no Brasil, a MTV e da Rede Globo de Televisão.

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