Coletividade x individualismo

A ambição individual é uma paixão infantil.
Charles de Gaulle

Considerando o momento de semana das crianças e, logo em seguida a semana com o dia dos professores, me veio à lembrança essa frase interessante do Charles de Gaulle: A ambição individual é uma paixão infantil.

E por que falar de individualismo em épocas como essa? Não seria melhor falar de paixão?

Ambos os temas são importantes nesse nosso momento e acredito que a resposta esteja nas analogias que podemos fazer para o nosso momento atual. A resposta a essas questões das paixões infantis e na necessidade da ação de coletividade das crianças e também dos professores podem ser um bom exemplo e nos ajudar a refletir sobre a disputa entre coletividade versus individualismo. A ambição coletiva, diferentemente da ambição individual, pode ser muito mais necessária, e ampla, ao que já não se restringe a uma paixão pueril.

Como comunicar essas paixões é o cerne da questão e objetivo deste texto, pois quanto mais individualistas forem as intenções, menos seremos criança. Crianças que tipicamente olham para o futuro com uma grande indagação acerca das suas próprias expectativas. Elas se isolam do restante do mundo e trilham um caminho de sonhos individuais, o seu próprio e particular caminho.

Ao meu ver, isso não está errado, pelo contrário…

Imagina-se que, ao obter maturidade, as próprias pessoas inserem outros seres em seus anseios, em seu círculo de relacionamentos e devem, naturalmente, ampliar o seu senso de coletividade. A interação com os demais indivíduos é a base desta nossa sociedade. E a interação só se estabelece pela capacidade de comunicação entre as pessoas, que integram grupos, entidades e instituições.

Pensando ainda em paixão, não é aconselhável, a ninguém, que abandonem as suas paixões, ou que deixem de mostrá-las, de vivê-las e de buscá-las.

Paixão é a razão da vida. O individualismo, não. Por natureza, somos seres sociais. Por natureza buscamos nos comunicar, buscamos nos integrar. Assim deve ser com as instituições. Viver em sociedade e, a despeito da necessidade individual, priorizar o bem coletivo.

Ok, o nosso tema é comunicação. Pois bem, vejam: não se estabelece comunicação sem um interlocutor. eAté mesmo esse texto, sem a sua leitura, não terá o menor valor ou importância. Monólogos não podem ser considerados comunicação. Individualizar a comunicação é isolar o que de mais importante o ser humano, e as entidades do terceiro setor, tem: o poder de se relacionar, e interferir, positivamente, na vida de todos nós.

Mesmo a crianças em tenra idade, sem a capacidade de falar uma palavra, se comunicam. E muito bem. Essa é uma habilidade que já nasce conosco, assim como a capacidade de se relacionar.

Para o bem, proponho usar a capacidade individual para potencializar a voz da sociedade. Proponho uma reflexão para compreender, e estimular, o poder de se apaixonar, pela vida, pelas causas, assim como a paixão que as crianças têm. Que nós sempre tivemos e, por vezes, esquecemos.

Então, em homenagem aos pequenos, que nos ensinam com a sua individualidade e com a sua capacidade de integração social e de comunicação efetivamente, eu gostaria de convidar a todos que busquem se apaixonar, que encontrem uma causa e, sobretudo, se socializem com ela. O mundo vai ficar melhor. E agradecer. Porque ser ambicioso coletivamente, nos fará crescer bem e saudáveis. Uma sociedade saudável. Parabéns crianças e professores. A sociedade, depende bastante, de vocês.

Roberto Alonso

Roberto Alonso

Formado em Marketing pela Universidade Paulista, com especialização em Marketing de Varejo pela FEA e MBA em Marketing pela FIA Fundação Instituto de Administração. Atualmente é Diretor da RADIC Marketing e Comunicação, consultor e professor de cursos de pós-graduação e MBA. Colaborou para a construção do site e da plataforma de aprendizagem da Escola Aberta do Terceiro Setor, que realiza o curso de Formação de Agentes do Terceiro Setor.

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