Uma razão para sonhar!

Sonhar nos ajuda a definir claramente nossas metas e a programar nossa mente para alcançá-las.
Os sonhos são o resultado da nossa imaginação fazendo aquilo que a ela cabe fazer: projetar o futuro. É importante manter nosso sonho vivo e projetando em nossa mente uma visão clara do que queremos no futuro. É assim que conseguimos programar nosso subconsciente.

Nosso cérebro tem uma capacidade muito maior do que podemos conceber. A parte a que temos acesso direto, o consciente, representa apenas uma fração de toda a sua capacidade.

É no subconsciente que se encontra o verdadeiro poder da mente. Essa parte, de capacidade impressionante, cuida simultaneamente de milhares de processos em todos os sistemas do corpo.

Ela recebe informações e gera respostas e comandos, coordenando o funcionamento sincronizado de trilhões de células. E ela faz tudo isso em paralelo com todas as atividades no consciente, o que inclui o raciocínio durante a resolução de problemas muito complexos.

Além disso, o subconsciente registra e compara cada segundo de informação que recebemos por todos os nossos sentidos, mesmo que não tenhamos “percebido” nada conscientemente. Dá para imaginar tamanha capacidade de processamento de dados? Quantos computadores seriam necessários para realizar esse mesmo trabalho?

O único problema é que o subconsciente não julga as informações recebidas segundo os padrões que estabelecemos “racionalmente”. Ele não faz distinção entre o que queremos atrair e o que queremos evitar, o que consideramos bom e o que consideramos ruim. Ele apenas executa a sua programação. Processa a informação, fazendo quase instantaneamente todas as associações possíveis de cada dado de entrada com a infinidade de dados armazenados.

Você poderia perguntar: “E daí? O que isso significa?”.

Dizem que a imaginação é mais poderosa que o desejo. Isso reflete uma comparação direta entre as maneiras de se programar o subconsciente (maior capacidade), e o consciente (menor capacidade).

Nosso desejo é parte da nossa cognição, nosso raciocínio consciente. Queremos algo, então, usando o consciente, fazemos planos, começamos a executá-los e nos esforçamos para manter o foco na direção escolhida. Entretanto, como a capacidade do consciente é limitada, rapidamente perdemos o foco, desviando-o para outro assunto de maior urgência ou prioridade. Quando nos damos conta, já deixamos de executar o plano inicial há muito tempo e nos sentimos frustrados com a nossa falta de “força de vontade”. Se você algum dia já tentou fazer dieta, sabe bem do que estou falando.

Por outro lado, uma tarefa passada ao subconsciente será executada, em paralelo com milhões de outras, por 24 horas e sete dias por semana, até que a solução seja alcançada.

Uma vez que um objetivo definido é transferido para o subconsciente através de uma visão criada por um sonho, todas as informações disponíveis são comparadas e analisadas no tocante à sua utilidade para a realização daquele propósito. Isso acontece com todos os dados adquiridos pelos sentidos, tanto os arquivados quanto os novos; tudo sem que estejamos conscientemente atentos ao processo.

Um exemplo simples dessa situação acontece quando nossos filhos ainda são bebês. Eu, por exemplo, tenho um sono muito pesado. Pode passar sobre minha cabeça um jato voando a baixa altura e com pós-combustão aberta. Um ruído enorme. Eu não acordo. Contudo, bastava um suspiro do meu filho no berço para que, imediatamente, eu acordasse.

Da mesma forma, o seu subconsciente irá buscar por qualquer informação que possa ajudá-lo a realizar o seu objetivo.

Geralmente, você nem saberá de onde ela veio, mas de repente terá a “inspiração” de como resolver a situação e progredir na atividade.

Com a solução trabalhada constantemente pelo subconsciente, passamos a agir de forma natural, quase “instintiva”, para executá-la. Com os nossos sentidos “afinados”, descobrimos novas oportunidades e nos associamos às pessoas certas em cada fase do projeto. Tudo parece “convergir magicamente” para o nosso sucesso. Realizamos todas as atividades com motivação contagiante e reunimos todos os recursos humanos e materiais necessários para transformar nossa visão em realidade.

A questão é: como informar ao subconsciente o nosso desejo, o nosso objetivo e todos detalhes dos nossos planos?

A resposta é: utilizando a imaginação. A repetição insistente, de forma consciente e deliberada na mente, do nosso sonho, da nossa visão, com todos os detalhes possíveis, como se fosse um filme que se repete indefinidamente e se torna mais detalhado a cada edição, é a maneira de “programar” o subconsciente.

Por isso, afirmar que a imaginação é mais poderosa do que o desejo é completamente pertinente.

Usamos a capacidade limitada do nosso consciente para imaginar insistentemente nosso desejo sendo realizado e, assim, comandamos, ou programamos, a parte realmente poderosa da nossa mente para realizar a tarefa.

É como se o consciente e o subconsciente fossem partes de um grande porta-aviões. O consciente seria a cabine, onde fica o comandante e alguns poucos tripulantes, e o subconsciente, os outros cinco mil homens da embarcação.

Portanto, comande “seu navio” com sabedoria.

Marcos Pontes

Marcos Pontes

Marcos Pontes é engenheiro aeronáutico (Instituto Tecnológico de Aeronáutica - 1993) e mestre em Engenharia de Sistemas (US Naval Postgraduate School - 1998). Selecionado pela NASA/AEB em 1998 (turma 17 de astronautas NASA), o astronauta Marcos Pontes possui 25 anos de experiência na Força Aérea, trabalhando como piloto de caça, piloto de testes, especialista em segurança de voo e engenheiro em importantes projetos de tecnologia e operações militares. Foi transferido para a reserva militar em 2006 no posto de tenente coronel e continua até os dias de hoje trabalhando como astronauta (carreira civil) para o desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro. É o primeiro astronauta brasileiro, primeiro astronauta profissional de nacionalidade única de um país do Hemisfério Sul e primeiro astronauta lusófono. Pontes foi o segundo de sua turma de astronautas da NASA (32 membros) a realizar um voo espacial. Em 2006, realizou sua primeira missão espacial para a Estação Espacial Internacional a bordo da espaçonave russa Soyuz TMA-8, juntamente com o cosmonauta Pavel Vinogradov e o astronauta Jeffrey Williams. Atualmente, além de eu trabalho junto ao Programa Espacial e enquanto aguarda escalação para seu segundo voo espacial, Pontes atua como CEO da MP Engenharia, uma empresa de P&D, como palestrante profissional, como coach especialista em desempenho pessoal e profissional, como pesquisador convidado do Instituto de Estudos Avançados da USP-SC e como diretor técnico espacial do Instituto Nacional Para o Desenvolvimento Espacial e Aeronáutico. É o embaixador mundial da Worldskills International para o Ensino Profissionalizante, embaixador no Brasil da First (For Inspiration and Recognition of Science and Technology), embaixador da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido) e presidente da Fundação Astronauta Marcos Pontes, uma organização sem fins lucrativos para a promoção da educação, da ciência e da tecnologia como ferramentas para o desenvolvimento sustentável no planeta. Marcos Pontes tem 3 livros publicados e recebeu um grande número de medalhas e condecorações pelo seu trabalho pela educação, ciência, tecnologia e desenvolvimento social no Brasil e em outros países, incluindo a denominação de um asteroide com seu nome, o Asteroide 38245 Marcos Pontes.

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