Escola sem Partido: A formação de Zumbis

Vamos admitir que a nossa querida democracia é extremamente frágil. O golpe parlamentar nos mostrou que temos um longo caminho a percorrer em direção a uma sociedade justa.

As atrocidades e retrocessos são tão grandes que, ao escrever esse artigo, tenho que respirar fundo, pois meu coração e a minha alma estão dolorosamente machucados e indignados.

Estamos à beira do abismo e da morte completa dos nossos direitos. O número de PECs conservadoras que estão tramitando nos mostra que estamos caminhando para o caos.

Poderia apontar diversas, mas destaco uma das piores: a PEC 241, que congela os gastos públicos por 20 anos, sendo a área da saúde e educação as mais prejudicadas se esse projeto for aprovado.

Se não bastasse isso, além da privatização do SUS com a criação do plano de saúde popular pago, temos o projeto de privatização das universidades públicas, bem como a inclusão entre as diretrizes e bases da educação do “Programa Escola sem Partido”.

O projeto de Lei número 193/2016 é uma afronta a todas as liberdades democráticas. Construído por políticos conservadores e pelo Movimento “Escola sem Partido”, este projeto é justificado pela preocupação de pais e filhos com a “contaminação político- ideológica” nas escolas brasileiras, inclusive de ensino superior.

Miguel Nagib, coordenador do Projeto “Escola sem Partido”, afirma que o objetivo é: “combater a doutrinação ideológica de professores que estão sequestrando a consciência intelectual dos alunos”. Além disso, os que defendem o projeto ressaltam que os professores incentivam os alunos a serem gays e lésbicas. E claro, inflamam também os alunos com teóricos comunistas como: Paulo Freire, Gramsci, Marx e outros.

Além de todas essas atrocidades, o movimento estudantil é criminalizado como um aliado nocivo e representante histórico dos esquerdistas que defendem a doutrinação política e ideológica nas escolas, como também a proliferação de núcleos de pesquisa e estudos dos comunistas presentes nas universidades.

Diante de tudo isso: O que será da educação brasileira? O que será de nós professores? Denunciados, agredidos e obrigados a usar mordaça? O que estaremos formando? Cidadãos críticos ou zumbis?

É preciso resistir e já começamos. Movimentos dos Professores Contra a “Escola sem Partido” e Movimentos Contra a “Lei da Mordaça” são importantes para denunciar essa aberração à sociedade e às instâncias internacionais.

O Projeto da “Escola sem Partido” é um projeto com partido, conservador e retrógrado. É um ataque violento contra a educação diversa e crítica.

O que estamos vivendo no Brasil é uma violência contra a liberdade e a democracia em todas as esferas. Devemos combater e resistir a essa epidemia de rebanhos conservadores e ignorantes. Não devemos esquecer que uma nação que amordaça e não repeita os seus professores está fadada a barbárie e a destruição.

Zumbis jamais! Mas cidadãos conscientes e críticos que lutam para construir uma outra sociedade.

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NOTA DE AGRADECIMENTO

Obrigada pelas curtidas e pelos diversos comentários sobre o meu artigo “Escola sem Partido: A formação de Zumbis”. Infelizmente a grande maioria das pessoas, ainda apoia e acredita que esse projeto será importante para a formação das pessoas. Isso é explicável… Pois somos bombardeados todos os dias pela ideologia do senso comum. Acredito que a única saída seja pelo conhecimento crítico, que agora querem matar com esse projeto. Nós, professores, temos posição sim, como seres humanos éticos e livres. Sem liberdade não existe construção crítica do conhecimento. Sou eternamente grata a todos os meus professores/mestres que me estimularam a refletir e a indagar sobre tudo. Escolhi ser professora…vou continuar… mesmo em tempos de retrocessos e cegueira…

“Um povo ignorante é um instrumento cego da sua própria destruição” ( Simón Bolívar)

Márcia Moussallem

Márcia Moussallem

46 anos, Socióloga, Mestre e Doutora em Serviço Social, Políticas Sociais e Movimentos Sociais pela PUC/SP. MBA em Gestão para Organizações do Terceiro Setor. Professora da PUC/COGEAE e FGV/PEC.

3 Comments

  1. Luiz E. Tavares
    set 12, 2016 @ 16:29:12

    O povo eleitor já não está mais interessado em Partido Político e sim se o político que ele vai eleger cumprirá com suas obrigações, defendendo os interesses de que o elegeu. E nas escolas os alunos devem aprender política sim, mas sem a lavagem cerebral que estavam tentando fazer. O estudante deve aprender que não precisa se prender a nenhum partido político ou candidato, ele tem liberdade de optar por aquele que esteja melhor preparado para ocupar um cargo político e defender os verdadeiros interesses do povo brasileiro. E aprender também que se o candidato em que ele votou se envolver em algum ato de corrupção, ele não é obrigado a continuar defendendo esse candidato e o respectivo partido. Pois se o eleitor que mesmo sabendo que o político é corrupto continuar o defendendo como se esse fosse seu time de futebol. Aí sim estará agindo como um zumbi, defendendo cegamente o partido e o candidato, quando na verdade teria que defender a coletividade que é o único prejudicado pela corrupção. Por isso temos que ter ESCOLAS SEM PARTIDO SIM! E prosseguir no estudo da política focada nos interesses e esclarecimento do eleitor e não de partidos e de candidatos a cargos políticos.

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  2. Dorothy Lavigne
    set 13, 2016 @ 05:08:52

    Sò no Brasil que ainda existe esse pensamento delirante, falacioso, retrógrado, que a Escola deve forma “formar cidadãos críticos”, como se fosse possível ensinar um indivíduo a pensar, em ao menos ter acesso a informação farta e imparcial. O tal “Cidadão critico” não passa de um zumbi teleguiado por ideologias anacrônicas de esquerda, impedido de raciocinar por conta própria, pronto a aceitar como dogma qualquer falácia marxista, sob coersão do professor-doutrinador e na mira de perseguições e bullying ideológico em sala de aula, caso náo se renda a “causa”. Excelente, necessário e urgente este magnífíco projeto escola Sem Partido do advogado Miguel Nagib. Professores unidos por um educação inclusiva!

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  3. mané
    set 14, 2016 @ 09:41:00

    Ensinar o aluno a ler, escrever e fazer contas, nada, né?

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