América Latina: Muros, Lutas e Resistências

Ilustração sugerida pela autora do artigo
O momento de barbárie que estamos passando em todas as dimensões da vida é assustador. Porém, é nesse cenário real que uma parte dos seres humanos inseridos nessa selvageria resiste e luta em busca da construção de outro mundo. Os outros, por outro lado, se encontram em um estado de hipnose, ignorância e apatia profunda. Esses se multiplicam a cada dia.

Os que resistem e lutam são aqueles que caminham pelas estradas do conhecimento verdadeiro e da consciência crítica, imperativos necessários para o alcance da independência e liberdade. E são nessas estradas, que ao refletir sobre a atual conjuntura da América Latina, torna-se imprescindível termos a consciência de que a nossa “colonização” predadora foi e continua sendo uma desgraça histórica, como afirmava José Martí. Os “conquistadores” saquearam e roubaram as páginas da nossa história, da nossa identidade e da nossa alma.

Entretanto, a resistência dos povos latinos sempre existiu e continuará existindo mesmo com muitas repressões, violências, massacres e genocídios. Exemplos de luta são muitos, mas destaco em especial os nossos irmãos mexicanos.

Quando estudo, sinto e vejo o México é impossível não me emocionar e me encantar com a luta pela preservação da identidade, cultura, história, arte, beleza, força e resistência do povo. Contudo, os problemas e as atrocidades cometidas durante um longo período da história até hoje, apesar de suas especificidades, são semelhantes à de todos os países latinos. Todos têm seus diversos muros de segregação e desigualdade que foram e continuam sendo construídos tanto pelos inimigos internos como pelos inimigos externos que ditam as regras do grande capital.

Há uma saída para o atual estágio de barbárie que estamos vivendo? É possível destruir tantos muros que nos separam durante o longo período da nossa história?

É preciso ter consciência de que o sistema capitalista é predatório e entrou em colapso, com crises que se agravam em diversos campos. O risco da vida e sobrevivência do planeta está sob ameaça constante. Não se trata de pensar o futuro, mas o aqui e agora, o nosso presente. Para isso, é de suma necessidade resgatar o ideário socialista a partir de uma análise crítica dos erros cometidos no passado, com vista à construção de outro patamar de liberdade e justiça.

É nesse emaranhado da atual conjuntura histórica da humanidade que a luta e a resistência são necessárias e contínuas. Acredito que é a utopia que nos ajuda a encontrar caminhos e a caminhar sempre, como dizia José Martí. E é nessa caminhada que o ideário dos bravos homens e mulheres latinos, tendo como exemplo o eterno líder rebelde Emiliano Zapata Salazar inspira tantas gerações, na busca incessante de liberdade, justiça e direito.

Márcia Moussallem

Márcia Moussallem

46 anos, Socióloga, Mestre e Doutora em Serviço Social, Políticas Sociais e Movimentos Sociais pela PUC/SP. MBA em Gestão para Organizações do Terceiro Setor. Professora da PUC/COGEAE e FGV/PEC.

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