Existe verdade na internet?

Como a obrigatoriedade de opinar nos tornou uma sociedade superficial

É inegável que a internet causou uma mudança radical na forma como as pessoas se relacionam. A 11ª edição da pesquisa TIC Domicílios 2015, que mede o modo como o brasileiro se comporta em relação às tecnologias de informação e de comunicação, aponta que 58% da população brasileira tem acesso à internet – o que representa 102 milhões de internautas.

O resultado dessa estatística ganha mais impacto quando se nota que o brasileiro é o povo que mais passa tempo conectado. A pesquisa “Futuro Digital em Foco Brasil 2015”, divulgada pela consultoria ComScore, mostra que os brasileiros são líderes no tempo gasto nas redes sociais. A média é 60% maior que no resto do mundo.

Com tanto alcance, tornou-se impossível se posicionar às margens das redes sociais. Inevitavelmente, o jornalismo também foi “atingido”. Um novo advento trazido por esse modelo de mediação de notícia foi a interatividade. O público deixou de ser somente receptor da informação e começou a contribuir diretamente no modo como é feita.

Entretanto, o jornalista não tem lidado bem com a adoção desse processo. O ato de noticiar vem se tornando uma grande corrida na qual dar o “furo da notícia” prevalece sobre a veracidade do acontecido. Não bastasse isso, a linguagem utilizada é em tom cada vez mais afirmativo, deixando a reflexão de lado e tirando espaço do diálogo.

Todo esse movimento gera um turbilhão de informações que nada dizem. Dito isso, um dos conflitos que essa lógica massiva de noticiar vem ocasionando é o excesso de notícias, isso pressiona – direta e indiretamente, a obrigatoriedade de todos possuírem opinião sobre tudo.

Porém, quando a informação passada não tem preocupação com a veracidade do fato, esse excedente de opiniões é prejudicial, pois nos torna superficiais.

Essa ideia está disseminada em toda sociedade. O movimento é tão marcante que até possui um adjetivo próprio, pós-verdade. Esse recurso linguístico está tão na moda que entrou no Dicionário Oxford, editado pela universidade britânica, pelo aumento de sua utilização. O termo é empregado como demonstração de que fatos objetivos foram substituídos por apelos pessoais e crenças, na hora de formar opinião sobre algo. Ou seja: para a informação ser válida, ela tem que estar, principalmente, de acordo com convicções pessoais e não com a realidade.

O descrédito na verdade e no conhecimento revela uma sociedade mais individualista, onde uma realidade começa a ter mais valor que outra. E o pior, a banalização do julgamento do que é verídico ou não faz com que as práticas de mentir e omitir sejam justificáveis.

Diante dessa realidade, o Observatório do Terceiro Setor faz questão de reafirmar sua posição como mídia plural. Temos como filosofia o hábito de ouvir e dialogar. Respeitamos a complexidade das diferenças existentes entre as pessoas e o modo como um mesmo fato possui diversos pontos de vista, mas apenas uma essência. Assim, reafirmamos nosso ideal, que é a busca pelo fortalecimento de uma sociedade mais justa, igualitária, solidária e sustentável.

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